sexta-feira, 19 de junho de 2009


a perseguição me causa náuseas. sombras: turvas e incompreendidas de causos passados. duras e palpáveis de realidades presentes. a perseguição é comum a todos.

todos os perseguidores são perseguidos e não seria imprudência dizer o mesmo contrário. Desejos. Sonhos. Superações. Dívidas adquiridas sem porquês. Paixões. Desprazeres.

o que persegues jovem rapaz? onde estão seus objetivos?
- na esquina de cada dia existe um caminho repleto de buracos. desvios acometem a subjetividade a perder seus propósitos.

mas atenta a tua sombra, que te persegue sem cessar. atenta a tua sombra.

terça-feira, 26 de maio de 2009


Mais uma vez num café, sozinho, sem falas, sem sol, sem mesmo café. Música,pelo menos, dessa vez. E um caderno para escrever. Linhas que se confundem na pequena folha. Partitura sem harmonia. Vibra apenas o grafite num fluxo contínou. Graças, contínuo! Ritmado como a música, linear, nem tanto. Hesita quando as mãos encontram o tabaco. Desacelera e concentra, regula o passo. Mistura a música.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009


de que me vale o tempo gasto se nada do que faço tende a melhorar. de que me vale a força se ainda não tenho nada nem lugar. de que me adianta a trama, o plano, a ordem e o bla bla bla.

melhor seria a vida se demais vivida.
melhor seria o corpo se demais dopasse.
melhor seria a mente se demais contente.
melhor seria a dor.

quanto mais sabedoria mais descaso é o meu quanto a melancolia. tão contraste é o meu quanto a discordia um dia. tão modesto é o meu tanta tristeza a minha.


Se calado fosse estar, tão curado estaria
se pudesse.
me calaria

domingo, 7 de dezembro de 2008

Deixa a nota de vinte enrolada cair sobre o tapete da sala.
Deixa os olhos castanhos e pequenos rodarem.
O nariz empinado apontando pro céu.
Deixa a boca larga aberta seca.
Deixa as mãos suadas correrem pelos cabelos sujos.
Os pulmões escuros enchendo.
Deixa as pernas grossas rígidas esticando
Deixa o corpo fraco frágil estremecendo
Deixa a razão sozinha
e foge.

domingo, 21 de setembro de 2008


Quanto mais eu penso menos me sobra espaço na cabeça. Será possível encher um tanque de tal forma a esgotá-lo? Quanto mais como menos faço digestão. Quanto mais bebo menos mijo. Quanto mais escovo mais tártaro. Quanto mais gordo menos emagreço. Quanto mais corro mais longe fica. Meu armário está cheio de cabides com roupas apertadas. Sufocantes fones de ouvido. Estou perdido. Perdidamente perdido. Lutando contra mim, contra o cansaço da preguiça. Contra a vontade do desejo, contra a contradição. Contrário e inconformado, destruído e desabado. Pó. Resta-me o pó? Nem isso me sacia, nem o fumo, nem a carne. Falta-me inspiração, falta explodir, vomitar, mergulhar, falta vida. Que sai da boca e vaza pelos poros, pelos olhos, vida que quanto mais se dá mais se tem. Falta cinza. Falta silêncio. Falta vazio.


quinta-feira, 7 de agosto de 2008


A fumaça corre pelos dedos, pelos dentes. desce pela garganta. descansa no pulmão. sobe pelas artérias e pára no topo, dentro.

Ainda chovia naquela tarde de quinta-feira. Teimava em não parar. O Jovem não perdia tempo e matutava matutava "até quando esperar?". O asfalto molhado respingando as gotas divinas em suas calças jeans e seus velhos allstares.
Ainda queimava naquela tarde de quinta-feira. Seus cigarros, suas lembranças. Fumava com a certeza de que o cigarro viraria cinza antes dele. e fumava para confirmar isso.

sábado, 26 de julho de 2008


“Babamioiâme quelereaiê te xauana de gandi ta lá nêiouska ta que leiê de cê naô quê bá.”

Todo aquele que presiste em errar, erra o erro e acaba por acertar.